por Daisy Klein, co-gestora da Plataforma Caleidoscópio
A Plataforma Caleidoscópio trabalha para 4 Pilares regenerativos: Pessoas, Relações, Instituições e Meio Ambiente. Atuamos por meio de ações diversas, a muitas mãos para desenhar futuros onde a vida em todas as suas formas possa prosperar.
E este texto conta um pouco sobre a importância no contexto atual complexo do primeiro pilar: a regeneração das pessoas.
Este pilar move meu propósito. Regenerar pessoas para mim significa restaurar, renovar ou dar vida ao brilho e conexão internas de cada um. Este brilho muitas vezes foi perdido por conta de nossa cultura, crenças, necessidades e prioridades impostas de fora para dentro. Assim, uma de nossas intenções na Plataforma é facilitar essa reconexão com o brilho interno.
Mas antes quero contar como me conectei e conecto à Plataforma Caleidoscópio. Em outro post contarei a história longa, que tem acontecimentos e aprendizados interessantes, mas por agora o mais importante é falar sobre sonhar sozinho e sonhar junto. Eu, Daisy Klein, junto com Simone Catalan, tínhamos criado canais de comunicação com comunidades em 2020. Olhando mais de perto os propósitos eram convergentes, e plantamos a semente de um sonho conjunto: a Plataforma Caleidoscópio. Alberto Martins (hoje somos três co-gestores) se alinhou e juntou a nós no caminho. E pensamos juntos em compartilhamento de conhecimentos e ações que ativem as quatro regenerações, em uma lógica colaborativa e ganha-ganha-ganha.
Mas vamos ao tema de hoje:
Por que é importante regenerar as pessoas
Decifra-me ou te devoro: a importância do autoconhecimento na vida pessoal, profissional e na colaboração
Na nossa cultura aprendemos a sempre olhar para fora, interpretar intelectualmente o que vemos externamente, e não o que está dentro de nós. Com isso deixamos de lado a conexão com nosso imenso potencial. E depois não entendemos o que sentimos quando temos problemas em nossas relações pessoais, profissionais e quando queremos colaborar. Acabamos nos frustrando com essas relações e às vezes até desistindo…
Pensando mais especificamente na colaboração – uma importante habilidade para este futuro que está emergindo – o processo de autodesenvolvimento passa a ser ainda mais importante, pois a colaboração é mais horizontal e esbarra em questões intra e interpessoais a serem trabalhadas.
Yuval Harari vem dizendo em palestras recentes com base em suas observações da história e de nossos tempos: Conhece-te a ti mesmo ou os robôs te conhecerão melhor que você mesmo.
10 Motivos para trabalhar a regeneração das pessoas
1. Desconexão consigo mesmo
Nossa cultura e sociedade se desconectou quase completamente de si mesma, no sentido mais profundo. Somos educados desde cedo a colocar toda atenção fora, atender as demandas externas e não estar na presença, conectados ao nosso SER.
2. Falta de autoconhecimento
A falta de autoconhecimento impacta todas as outras regenerações: das relações, das instituições e do planeta. Quando as pessoas não se conhecem, elas são guiadas por padrões inconscientes ou pouco conscientes, como medos, crenças limitantes, pré-julgamentos, dentre outros. Isso faz com que elas “espelhem” ou projetem no mundo o que não conhecem, não trabalham em si mesmas, ou temem.
3. Desconexão com o todo
A desconexão com o todo, que inclui a Natureza e o bem estar coletivo e ampliado, vem da nossa cultura (antropocentrada, eurocentrada, capitalista, mecanicista, que vem sendo construída especialmente após a Revolução Industrial) e da desconexão consigo mesmo. Quando você, como indivíduo, está conectado com si mesmo, e trabalha constantemente seu autoconhecimento, autocuidado, autoestima, protagonismo, passa a se sentir mais inteiro e abre espaço para ver o mundo assim também, de forma mais conectada, empática e sistêmica.
4. Falta de motivação e propósito
Pesquisas apontam para a crescente busca de significado em todas as faixas etárias. Esta falta de motivação e propósito é notada por exemplo pelas crises que temos geralmente entre 40 e 50 anos em relação ao significado do trabalho e relações, e pelas pessoas 60+ que estão com energia e buscando como seguir trazendo seu conhecimento acumulado para o mundo dentro do que gostam e fazem bem. Parece que muitos jovens já vem com o novo `chip` desta busca por propósito também, recusando trabalhos não alinhados com o que acreditam.
5. Ansiedade
Desde que passamos a viver em rede (pós criação da internet) e com o crescimento rápido das tecnologias, o excesso de informações através da vida online, especialmente de redes sociais e whatsapp, nos causa F.o.M.O. (fear of missing out = medo de não conseguir acompanhar atualizações e eventos) e ansiedade, e mais ainda atenção fora de nós mesmos, em coisas irrelevantes e desejos ilusórios.
O Brasil mantém o título de país mais ansioso do mundo (9,3% da população) e o mais depressivo da América Latina, segundo a OMS. (fontes: OMS/BBC/G1 e Jornal da USP)
6. Infelicidade e insatisfação
A insatisfação e infelicidade no mundo atual é causada em grande parte pelos fatores listados nestes 10 itens, da desconexão consigo mesmo, que traz um vazio existencial, passando por excesso de expectativas e projeções, autocrítica excessiva, não saber lidar com a vida, até fatores externos como ambientes tóxicos ou relacionamentos problemáticos. A falta de entendimento e elaboração das dores da vida contribui para esses sentimentos.
7. Falta de Saúde Mental
No Brasil os dados indicam que os afastamentos do trabalho por transtornos mentais dobraram em dez anos e que, em 2024, foram quase meio milhão de pedidos, um aumento de mais de 60% em relação ao ano anterior*.(*dados aqui). De acordo com dados consolidados do Ministério da Previdência Social e do INSS (referentes a 2024 e 2025), os transtornos mentais e comportamentais continuam sendo a terceira maior causa de afastamentos do trabalho (auxílio-doença) no país. (fonte: Justiça do Trabalho)
O modo de vida atual tem contribuído para um cenário preocupante em relação à saúde mental em todos ambientes e idades. Saúde Mental não é apenas ausência de doença, mas a capacidade de lidar com a complexidade do mundo.
8. Incertezas, volatilidade, ambiguidade
Em um mundo incerto, é importante centrar-se em si mesmo e buscar suas respostas internas. Mas também estar em bons círculos de conversa, que ampliam conhecimentos e visão, para alimentar boas tomadas de decisão pessoais e coletivas.
9. Complexidade
Dada a complexidade do mundo atual, colaborar é uma forma de dar conta de tanta informação, conteúdo e problemas complexos. A diversidade de pessoas em qualquer projeto amplia pontos de vista. Porém colaborar demanda autoconhecimento e boa relação com o outro, e precisamos desenvolver essas habilidades.
10. Não atingimos as metas globais
Os ODS (Objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU) criados para seguirmos tendo este planeta para viver estão longe de serem alcançados. Segundo especialistas de um movimento que começou nos países escandinavos e ganhou suporte de doutores de grandes Universidades mundiais, não atingiremos os objetivos globais enquanto não trabalharmos nos indivíduos. Os Inner Development Goals (IDG) ou Objetivos de Desenvolvimento Interno (ODI) defendem que precisamos desenvolver o SER e o PENSAR a partir de dentro, em termos de conexão consigo mesmo e suas habilidades. Só assim é possível melhorar o RELACIONAR-SE, para chegar ao COLABORAR e ao AGIR efetivos no planeta pelo bem comum.
Dados compilados pela rede global Inner Development Goals (IDG) em parceria com centros de pesquisa em liderança mostram que o investimento no ‘SER’ gera resultados diretos no ‘FAZER’: empresas que priorizam a Segurança Psicológica e o Autoconhecimento registram uma retenção de talentos até 35% maior e uma capacidade de inovação nitidamente superior.”
por Daisy Klein, co-gestora da Plataforma Caleidoscópio
Na Plataforma Caleidoscópio, não apenas observamos as transformações; nós fazemos a travessia. Acreditamos que o florescer do indivíduo é o solo que planta o futuro do planeta.

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